Por: André Rodrigues  

“Música é, essencialmente, 12 notas entre qualquer oitava e que tudo o que um artista pode oferecer ao mundo é como ele enxerga essas 12 notas.”, é impressionante como um dos diálogos mais emocionantes do filme praticamente traduz a obra inteira. Uma história que já teve outras três adaptações, a única forma de fazer isso dar certo é se realmente tivesse um coração diferente no meio de contar, e foi exatamente o que Bradley Cooper conseguiu na sua estreia na direção.

A música é a essência do filme, é parte principal para o desenrolar da trama, e a forma que Bradley trata essa importância, faz com que o filme flua entre músicas de uma forma tão natural que ela está nas entrelinhas até em nos momentos mais silenciosos. A maneira que são representados os shows de Jack, com câmera na mão, sem medo dos flashes encandearem a tela, chegando ao lado do personagem, explodindo emoção em cada segundo.

Se nos shows de Jack, no auge, tudo na tela transborda emoção, nas apresentações de Ally, que são milimetricamente coreografadas por produtores, a câmera e fotografia parecem que se distanciam, nos dão a sensação clara que aquilo não é real, que não passa de uma encenação. Assistir aos shows com essas suas perspectivas tão diferentes me faz me apaixonar ainda mais pelo cinema em geral, não é só a história, mas também é a forma.

O filme aproveita essa virada dos produtores pra fazer uma crítica interessante ao mundo da música em si, que normalmente pega talentos singulares, personalidades fortes e molda em uma lata pré-fabricada, feita para lucrar cada vez mais, às vezes deixando aquela paixão morrer, e só ficar esse produto que quase não tem conteúdo.

Como provavelmente já deu pra perceber, o grande trunfo dessa obra é sua emoção, que é legítima, sem enfeites, pura e sincera, até os últimos minutos. E essa emoção necessária só funcionária se a química entre os protagonistas fosse boa, e nisso Bradley e Gaga surpreendem com atuações muito boas e seguras, não são atuações espetaculares, mas casam perfeitamente com os personagens e com a proposta do filme.

Nasce uma Estrela é, sem dúvida, um ótimo produto, que consegue nós passar o valor do sentimento real na produção de qualquer arte, e para um primeiro filme como diretor, Cooper fez um trabalho maravilhoso, implantando até pontos que podem vir a ser características da sua direção, vale a pena ficar de olho nos trabalhos dele.

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