Por André Rodrigues

 

Que Donald Glover é um dos grandes artistas da atualidade já sabemos, foi um dos pontos autos de Han Solo, sua carreira na musica com o codinome de Childish Gambino é extremamente solida, mas o que ele faz com a série que produz, dirige e atua é algo absurdo, Atlanta é um dos produtos mais interessantes em que temos na TV atualmente, e se você não tem nem ideia do que se trata, dá uma chance.

A premissa da série é bem simples: Earn (Donald Glover) é um cara que está com dificuldades financeiras e descobre que seu primo está começando a fazer sucesso com suas músicas e decide ser o empresário dele.

O plot da história pode não ser chamativo, mas não se engane que a simplicidade do argumento nem se compara com a complexidade dos temas abordados na série, normalmente tratando o universo da cultura negra nos Estados Unidos, Atlanta mostra de uma forma crua os absurdos que a nossa sociedade prega como normal e corriqueiro, nos levando a reflexões intensas, nos instigando a melhorar como pessoas.

É impressionante a habilidade de Glover, que dirige e roteiriza grande parte dos episódios, em pegar temas extremamente simples e invertê-los e nos mostrar a complexidade que alguns temas como racismo, dinheiro, família e relacionamento realmente tem. Mostrar a dificuldade que um negro tem em gastar uma nota de cem dólares é algo tão simples, mas que revela tantos problemas do mundo de hoje, o preconceito, a intolerância e a falta de empatia, por exemplo.

As atuações podem não ser grandes coisas, mas fica claro que o objetivo da série está longe disso, muitas vezes é preferido não desenvolver os personagens para fazer alguma crítica, mostrar algum absurdo, e isso é maravilhoso, temos tanto do mesmo no mercado atual, que quando aparece algo como Atlante, diferente, ousado e corajoso com uma estética tão cinematográfica, tem que se divulgar.

Para finalizar, vou separar um parágrafo aqui para lhes falar sobre o produto que mais me impactou nesse ano na cultura pop, não foi Vingadores, não foi Westworld, mas foi o 6º episódio da 2ª temporada de Atlanta, “Teddy Perkins” é uma obra de arte, toda a discussão sobre paternidade, glorificação da obra, e o que acredito ser uma análise da mente de Michael Jackson, em um episódio de 20 minutos, onde Glover de transveste de branco, e entrega um personagem várias camadas, várias interpretações e sentidos, da forma mais absurda que existe. Não tem como não recomendar uma série com um episódio desse.

Atlanta é uma série completamente fora da curva e da caixinha, sem amarras com a estética televisiva e com narrativa tradicional, e isso faz com que ela tenha um caminho maravilhoso para se trilhar, para nós, só basta apreciar a obra e torcer com que Glover mantenha a qualidade absurda.

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