Por André Rodrigues

Quando um filme tem uma cena que vence a barreira dos anos, é referenciada e colocada a níveis de estar em qualquer apanhado sobre a história do cinema, fica fácil dizer que esse filme é um clássico, mais que isso, é representa a definição de clássico em si.

Cantando na Chuva é um daqueles filmes que é preciso ver de vez em quando, fazer disso uma rotina, pois alegra a alma, te deixa mais leve e te faz entender a paixão que o cinema pode trazer. Com músicas marcantes, atuações maravilhosas, essa é uma obra para ser cultuada mais ao passo que os anos vão passando.

Mas porque Cantando na Chuva é tudo isso? Ele não é inovador, longe disso, mas é tão cirurgicamente bem executado que o filme flui naturalmente, e quando nos damos conta, passaram-se quase duas horas. Parte do motivo disso acontecer é Gene Kelly, protagonista, diretor e co-roteirista do filme, Kelly possui um carisma que poucos conseguiram atingir na história do cinema, ele faz um personagem ambicioso, alegre e destemido que é impossível não empatizar, e se somar suas danças com Donald O’Connor, temos cenas inesquecíveis.

Por falar em O’Connor, ele dá vida ao personagem mais divertido do filme, Cosmo sempre tira piadas rápidas e precisas da cartola quando menos se espera, tem um timing de comédia realmente impressionante. Para fechar o trio de protagonistas, tem Debbie Reynolds, outro poço de carisma, com uma voz poderosa e movimentos extremamente belos, ela consegue ir do drama para a comédia muito natural, e faz com que a jornada de sua personagem seja a principal trama do filme. Não posso passar pelas atuações sem falar da Jean Hagen, que faz um trabalho de voz maravilhoso com a personagem Lina Lamont, é impossível não se incomodar com a voz aguda de sua personagem.

O filme em si, além de ter danças e músicas bem encaixadas, que simplesmente fluem na narrativa, sem deixar o filme nem um pouco cansativo, ainda traz na trama a principal revolução na história do cinema, a adição de som aos filmes, que foi a transição de formato mais drástica da mídia até hoje, mais um ponto do filme com os apaixonados por essa arte.

Vou tirar um paragrafo à parte para comentar sobre a cena principal, aquela que eu tenho certeza que você já viu. É de um primor técnico tão brilhante, a emoção no canto, em cada movimento, é impossível não sentir a alegria que Don está sentindo naquele momento, porque ali ele está completo, se vê apaixonado, vê seu trabalho dando frutos, a felicidade é tanta que não cabe em palavras, é preciso cantar e dançar. É aí, nessa cena, que está o coração de todos os musicais, é sentimento, tão grande que não cabe em frases, existe a necessidade de externá-lo da forma mais intensa possível, daí o canto e a dança. Não é a toa uma das cenas mais icônicas do cinema.

Não há outra palavra para definir Cantando na Chuva a não ser clássico, no seu sentido mais puro possível, um filme para se exaltar, para se comparar e para tentar atingir. É uma obra que superou o tempo, e que ainda tem muito a ensinar aos amantes de cinema.

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