Por André Rodrigues

 

Anunciado como o concorrente brasileiro a uma vaga no Oscar, O Grande Circo Místico chegou aos cinemas com uma expectativa a ser cumprida. Com trailers exuberantes, coloridos com danças e vários atores conhecidos, parecia que a nova obra de Cacá Diegues já era um sucesso concretizado. Infelizmente a expectativa não foi sequer atendida, e parece que não vai ser dessa vez que chegaremos ao menos na cerimônia de premiação.

O longa segue a história do centenário circo que nomeia o filme, que parece carregar consigo uma maldição, desde sua criação, que veio por motivos secundários, e não pelo que deve ser o objetivo principal de qualquer circo: entreter. Essa “maldição” segue todos os integrantes da família, sofrendo das mais diversas formas, até eventualmente encontrar alguma redenção.

Já de cara o que chama a atenção e a fotografia espetacular de Gustavo Hadba, que consegue dar um ar místico às ruas dos anos 20, que combina com o circo inicialmente apresentado, nos deixando com a impressão que é tudo parte do mesmo ambiente. Com o evoluir da história e consequentemente do tempo, a fotografia começa a se tornar mais sóbria e acinzentada, refletindo a decadência do circo, que chega a ter suas lonas sem cor e cheias de furos.

O que a fotografia consegue fazer, infelizmente o roteiro falha bastante, a ideia de acompanhar em torno de 5 gerações da família que gerencia o circo é bem arriscada, é preciso uma linha mestre bem definida para ligar todas os personagens, para termos um caminho a ser seguido. O que acaba acontecendo é uma quantidade enorme de personagens (cada geração com protagonistas e coadjuvantes diferentes), e pouco tempo para nos apegarmos a um sequer, fazendo com que no fim do filme não nos conectamos com o que está em tela, e eu considero esse o pior erro em uma narrativa.

Um destaque que é preciso fazer é para o espetacular personagem de Jesuíta Barbosa, Celavi é o que o filme deveria ser, tem um ar misterioso, um humor físico muito interessante, e um carisma absurdo. Consegue emocionar com o pouco que lhe é oferecido pelo roteiro, e no meio a várias incertezas e lugares comum, consegue se sobressair muito bem, pena que seu personagem é secundário demais, e extremamente subaproveitado.

Ao fim do filme, tem-se a sensação de ter lido um poema de um poeta respeitadíssimo, mas não se entende o objetivo do poema, e pela sua exagerada complexidade, acaba sem fazer o leitor se conectar. O Grande Circo Místico, infelizmente, é uma obra mais próxima do pedante do que do complexo.

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