Por Edson Júnior*


 
Há cinco anos, em uma segunda-feira, 2 de dezembro de 2013, acordava com uma mensagem do saudoso Oswaldo Vilela (falecido em 10 de agosto de 2015): “Meu companheiro, Dédinha descansou da agonia”. 

Era uma notícia de conforto. Sua luta contra uma ferida imbatível o maltratava, sem perspectiva de cura. Ninguém queria sua partida, muito menos seu sofrimento.

O homem que tanto aliviou as dores do seu povo sofria em um hospital paulista; longe de sua terra, longe dos seus iguais sergipanos, longe de sua gente querida, longe de sua família, longe da politica que ele tanto honrou e praticou, com ética e honestidade.

Apressei-me em abrir o perfil dele no twitter e lá estava o post definitivo: “O céu acaba de ganhar mais uma estrela, Marcelo Déda voou ‘nas asas da quimera’. Paz & Bem – família Marcelo Déda”_. 

O Brasil perdia um dos seus mais importantes políticos, um insuperável defensor das causas da justiça social, dos ideais da revolução francesa, da política a serviço dos mais pobres, do progresso civilizatório, da decência humana, das causas simples às mais complexas: o orador da esperança. “Nenhuma nação se legitima na história se desprezar a liberdade e se ignorar o valor da igualdade”, disse ele em um dos memoráveis discursos que fez ao longo da vida, desta vez em Brasília, no lançamento do programa federal “Brasil Sem Miséria”, no governo da então presidenta Dilma Rousseff. 

Déda era um vulcão em erupção diante das injustiças, com lavas jorrando, inclementes, lavando a terra da mesquinhez e semeando a esperança onde havia aridez. 

Era talhado para fazer o bem. Iniciativas de governo que se não tivessem como fim a gente pobre que ele tanto abraçava, recebia a sonora advertência: cadê o povo nesta obra? 

Ah, Déda! “Humano, demasiado humano”, peço emprestado o título de um dos livros do filósofo Nieztche para coroá-lo, meu companheiro!

Vivemos um momento de mudanças na política e ele faria uma enorme diferença na agenda nacional que se inaugura a partir de janeiro; um governo com ideias opostas às que ele pregou durante sua vida, indo, ele próprio, durante o último período autoritário, para o combate nas praças públicas, ainda um menino universitário, discursando sobre caixotes e tamboretes. 

Déda hoje estaria guiando a oposição, mas não seria um oponente biliar, odiento. Déda exercia a política com nobreza. Não cultuava inimigos, por isso ganhou o respeito e admiração de todos. Seria um qualificadíssimo adversário na defesa de suas ideias e do seu povo. 

Hoje acordei com a tristeza daquele 02 de dezembro de 2013 e uma lágrima de saudade – não de dor – desceu sobre minha face marcada pelo tempo que teve Marcelo Déda como farol, como um ser onde podíamos esperar o melhor como gente, como político, como amigo. 

Ah, Déda, que falta você faz, companheiro!


Edson Júnior é Graduado em Jornalismo, em Gestão Pública e Tecnólogo em Gestão Pública/UNIT; Filosofia (incompleto)/UFS – Universidade Federal de Sergipe.

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