Gestão Financeira nas Pequenas Empresas

(*) Por Alaelson Cruz dos Santos

Administrar bem um negócio já não é suficiente. É preciso ser rápido e preciso nas decisões para afastar prejuízos ou impedir ações que inviabilizem o negocio. Independentemente do porte da empresa, o planejamento financeiro prevê os possíveis resultados, de modo que as medidas corretivas possam ser planejadas com tempo, calma e reflexão suficientes para que sejam bem-sucedidas.

Várias pesquisas têm mostrado que a principal causa de mortalidade das pequenas empresas é a má gestão financeira. A Gestão Financeira compreende planejamento, análise e execução das atividades financeiras e funções a elas relacionadas.

É inegável a importância das pequenas e médias empresas na economia brasileira. Somente as micro e pequenas empresas respondem por 98% do total de empresas instaladas no País, 60% da mão-de-obra empregada e 40% do produto interno bruto. Dentro dos novos conceitos que hoje fazem parte da realidade nas empresas, como terceirização, downsizing e reestruturação organizacional, existe a tendência de que esse segmento ganhe cada vez mais importância. Paralelamente, porém, observa-se um grande movimento de abertura de novas empresas relacio­nado com o fechamento de fatia substancial delas.

Essa descontinuidade é freqüentemente resul­tante de fatores financeiros, embora o negó­cio em si, à primeira vista, pareça bom. Em geral, o empresário tem algum conhecimento do produto e da tecnologia envolvida, conhe­ce os canais de distribuição, os principais concorrentes e desenvolve a atividade de marketing para divulgação do negócio. Po­rém, relega a segundo plano o processo de gestão da empresa, incluído aí o monitora­mento constante de sua rentabilidade, neces­sidade de capital de giro e geração de caixa. Outro ponto a ser ressaltado é que o empreen­dedor tende a subestimar as dificuldades fi­nanceiras, temendo abalar a motivação do seu negócio. Esse caminho faz com que, even­tualmente, não sejam quantificados os riscos inerentes ao empreendimento.

Nas pequenas e médias empresas há mais obstáculos e resistências à implantação de um planejamento financeiro. A falta de tem­po é a primeira dificuldade. É freqüente o empresário que já possui o seu negócio con­centrar sua atenção em aspectos operacionais de curto prazo, como produção, nego­ciação de vendas, atendimento a clientes, fechamento diário de caixa. Por sua vez, o empreendedor que está planejando um novo negócio tende a concentrar sua atenção na concepção do empreendimento, aspectos de mercado e de produção. Em ambos os casos, não sobra tempo para o planejamento finan­ceiro.

A postura do já sei tudo sobre o negócio faz com que o empresário ou o empreendedor desconsiderem qualquer pos­sibilidade de auxilio na estruturação do em­preendimento. Um empreendedor sabe com­prar e vender bem, mas não dá a devida importância às funções gerenciais de admi­nistração, controle e planejamento, prejudi­cando, muitas vezes, a gestão dos negócios. Existem, entretanto, abordagens especial­mente dirigidas às pequenas e médias empre­sas, mais simples, com resultados mais rápi­dos. Quem investiu tempo, dinheiro e dispo­sição para empreender um negócio deve estar atento a tudo isso.

Em geral, o empresário tem algum conhecimento do produto e da tecnologia envolvida, dos canais de distribuição e dos principais concorrentes. Porém, se ele não dá importância devida à gestão da empresa, à rentabilidade, ao capital de giro e à geração de caixa, pode correr riscos desnecessários

São conhecidas as carências das pequenas e médias empresas em termos de administração financeira. O empresário típico começa um negócio a partir de alguma habilidade (vendas, conhecimento técnico etc.) e tem, inicialmente, uma relação distante com a administração financeira.

Seu primeiro contato com administração  financeira consiste apenas em pagar e receber. Nesse estágio, sua bússola financeira pode ser chamada de “caixômetro”: dinheiro  em caixa é sinal de que as coisas vão bem. Quando a empresa começa a crescer, em alguns casos, é percebida a necessidade de maior atenção para a administração financeira. A formação de preços estaria correta? Porque ainda não temos um fluxo de caixa? E os custos, estariam dentro da normalidade? Essas são algumas das primeiras manifestações da necessidade de administração financeira.