Deputado fez, pelo menos, 16 indicações políticas para a estatal. O parlamentar e a empresa negaram qualquer irregularidade

 

O líder do governo no Congresso, André Moura (PSC-SE), indicou amigos e conhecidos para cargos de confiança no escritório da Dataprev em Sergipe. A empresa estatal oferece soluções de tecnologia para o governo federal e para o processamento dos pagamentos das aposentadorias dos brasileiros. A informação é do jornal O Globo.

Pré-candidato ao Senado, Moura montou um grande cabide de empregos. A reportagem identificou as digitais das indicações políticas em pelo menos 16 dos cerca de 60 cargos de confiança existentes na Dataprev. Oito foram preenchidos por indicação direto do parlamentar.

Dois desses comissionados são assessores do presidente da empresa, André Leandro Magalhães, recebem salário de R$ 18,9 mil, moram em Aracaju e pouco aparecem em Brasília, onde o presidente dá expediente, como admitiram em entrevista ao GLOBO.

Segundo a matéria, os indicados continuam morando em Sergipe mesmo depois do órgão ter determinado a transferência deles para Brasília. A mudança na lotação dos cargos ocorreu após a má repercussão interna gerada pelo fato de que o presidente – também ele uma indicação política do líder do governo – mantinha dois assessores lotados no estado de André Moura.

Estes servidores também não têm currículos que justificariam suas contratações. No grupo estão advogados que atuaram em processos a que respondem Moura ou seus aliados em Sergipe, um primo e até uma dona de um salão de beleza.

O líder do governo controla também o comando do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), principal cliente da Dataprev. Depois do GLOBO revelar em maio que o então presidente do INSS, Francisco Lopes, contratou uma empresa de informática que funcionava numa loja de bebidas, ele acabou demitido pelo governo. Moura, porém, segue dando as cartas nas indicações políticas no INSS.

Ao jornal, André Moura defendeu as indicações políticas para a Dataprev. Por meio de sua assessoria de imprensa, o deputado limitou-se a dizer que “as citadas indicações atendem aos requisitos exigidos em lei” e que, “conforme a legislação em vigor, as indicações são de cunho político e pessoal, afinal são cargos de confiança”.

A Dataprev não respondeu aos questionamentos sobre cada um dos indicados políticos lotados em unidades da estatal. A empresa afirmou, via assessoria de imprensa, que os indicados “desempenham atividades técnicas”. Segundo a estatal, eles vêm “apoiando, com os demais empregados, o crescimento da Dataprev, contribuição decisiva para a evolução e relevância da empresa no mercado nacional”.

A empresa sustentou que aprimora ações para atender à Lei das Estatais e o estatuto social da própria companhia. Segundo a Dataprev, os cargos em comissão de livre nomeação representam pouco menos de 1,5% do quadro de pessoal.

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