(*) Por Vanessa Ribeiro

Jornalismo, ferramenta do exercício da cidadania

Os cursos de Jornalismo proliferaram-se no decorrer dos anos seguintes. Segundo dados do Ministério da Educação, em junho de 2003 havia 443 cursos de Comunicação Social no país. A FENAJ (Federação Nacional de Jornalistas) estima que existam no Brasil cerca de 80 mil jornalistas, e em torno de 14 mil estudantes que concluem anualmente o curso de Jornalismo. Em agosto de 2005, o número de pessoas que conseguiram o registro profissional “precário” (liminar), somente no Estado de São Paulo, atingia 5.740 jornalistas. A situação se agrava corri a adoção da política administrativa, chamada de reengenharia, pelas empresas jornalísticas. O ritmo de trabalho dos jornalistas nas redações aumentou significativamente. Nessa situação, cada profissional produz por, pelo menos, dois ou três colegas, tornando comum os afastamentos motivados por esgotamento físico, por doenças do trabalho e também o crescimento de transtornos psicológicos, conforme atestam dados da Fenaj.

Como consequência dessa política do pague um e leve três pelas empresas, invariavelmente o profissional é obrigado a exercer várias funções ao mesmo tempo – acúmulo de função. Além disso, observa-se a extinção de postos de trabalho e a criação de empregos formais em número menor do que o ideal (SATO, 2006). 

Chegamos a pensar várias vezes por dia, se vale a pena fazer jornalismo por 5 anos, e no final das contas os jornais ou empresas privadas não fazerem uso do nosso diploma. Agora qualquer colunista de blog pode ser chamado de jornalista se ele fizer algumas horas de um curso para ter a sua DRT?

Não entendo o Brasil de ontem, nem tão pouco o Brasil de hoje. Chegamos ao fundo do poço literalmente. 

Foi neste contexto que se desenvolve e se fortalece no Brasil uma imprensa preocupada com o local, no que pede o fortalecimento da globalização, visível, especialmente, nos meios de comunicação. Trata-se de estudo com base na produção editorial dos jornais em circulação e em estudos de casos disponíveis em bibliotecas e revistas especializadas, onde pudemos observar as tendências e realizar análises de conteúdo, a partir dos jornais do Rio Grande do Sul. 

É a política a culpada de tudo isso? E essa crise? E essas leis? E o meu diploma?

No final disso tudo, serei apenas uma jornalista Revolucionária, querendo melhorar o país. 


(*) Vanessa Ribeiro é Jornalista DRT 1045/SE, Sergipana de corpo e alma, Colunista e Editora do Portal 79, Editora do Marketing com Café, amante de filmes e séries, fã de Harry Potter, Corintiana e Ariana.

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