Por: André Rodrigues

Com a “supersaturação” de comédias que vivemos hoje em dia, temos certa dificuldade de encontrar algo que realmente valha a pena gastar tempo assistindo, poucas séries atuais conseguem sair da curva do “grupo de amigos em situações comuns” que no fundo, só imitam séries anteriores como Seinfeld e FRIENDS. Por isso quando encontro uma comédia boa, divertida, leve e com uma mensagem forte e bem transmitida eu faço questão de promovê-la de toda forma, e esse foi exatamente o caso de The Good Place.

O que eu achava ser só mais uma comédia sem muita inspiração acabou se tornando uma das melhores surpresas que tive ao longo desse ano, com uma história complexa, repleta de reviravoltas (principalmente no fim da primeira temporada), que faz com que a série não se prenda ao status quo que a ajudou a conquistar os fãs, essa falta de medo de mudar padrões de comportamentos nos personagens, sempre com explicações boas, faz essa série uma das grandes comédias da atualidade.

A história acompanha Eleanor Shellstrop (Kristen Bell) na pós morte, onde ela tem que aprender a viver nesse paraíso, o lugar bom (Good Place), com sua alma gêmea, e diversos vizinhos que mereceram, com tudo que fizeram na terra, estar nesse paraíso, sabendo que houve algum tipo de erro, que ela não devia estar ali.

Só a premissa é bem diferente, já lidar com o pós-vida não é muito fácil, e ainda fazer comédia com isso é algo bem difícil, mas as regras estabelecidas desde o primeiro episódio para definir bem esse universo, nos faz entender de forma bem simples como tudo funciona nesse lugar exotérico, e esse cuidado é algo que se deve valorizar.

Nesse contexto de estabelecimento de universo vale ressaltar a maravilha que os criadores (diretores, produtores e roteiristas) fazem com a possibilidade de criar absurdos, desde buracos negros no meio de uma cidade até camarões voadores, tudo fazendo completo sentido na ideia da série.

Se toda a produção é muito boa, a mensagem faz a série subir uns 2 degraus na qualidade, durante todas as temporadas até agora, foi feito uma análise detalhadíssima de todos as facetas da ética nos seres humanos, do que nos faz bons, o que nos motiva a fazer escolhas boas ou ruins, se as atitudes boas valem igual quando a motivação é deturpada, tudo isso se baseando em filósofos reais (as vezes até citando-os), e mostrando de uma forma simples e divertida, quão complexo é um ser humano.

Depois de saber que essa também é uma produção com a assinatura (entre outros) de Michael Schur, responsável simplesmente por: The Office, Parks and Recreation e Brooklyn Nine Nine, um nome enorme na indústria de comédias, e The Good Place é mais uma ótima obra, com uma profundidade que as vezes falta em outras comédias, com momentos de comédia excelentes e com personagens com mais de uma camada, sem dúvida é uma das melhores comédias em exibição atualmente.

Comentários

Carregar mais Artigos relacionados
Carregar mais por André Rodrigues
Carregar mais em Crítica Arretada
Os comentários estão fechados.