Por André Rodrigues

 

O cinema, assim como tudo na vida, é repleto de fases, períodos de tempos onde algumas tendências são fortemente aplicadas a qualquer que seja o cenário em observação. Tivemos as boy bands entre o fim dos anos 90 e o início dos anos 2000, tivemos a moda Hippie nos anos 60, que influenciou música, moda e comportamento.

No cinema já vimos diversas tendências, como os filmes noir dos anos 50 e 60, os faroestes dos anos 40, que voltaram nos anos 70, estamos atualmente com a onda de super-heróis do cinema, mas uma tendência que tem meu agradado demais nos últimos anos é a do terror psicológico.

O terror sempre esteve rondando todas as épocas do cinema, desde Nosferatu em 1922, mas o mesmo teve várias fases, no início só se tinha filmes com monstros (Frankenstein, Nosferatu, A Múmia…), alguns anos depois foi a vez dos zumbis aparecerem com George Romero e tomarem conta de diversas obras do gênero, mais recentemente tivemos a aparição e sucesso dos filmes focados nos jump scares (aqueles sustos que são precedidos de músicas tensas e crescentes, nos preparando ,chegando a ser até previsível, para o susto que haverá), que eu considero um ponto baixo do gênero, mas nos últimos anos vem aparecido uma quantidade de filmes de terror que estão cada vez mais surpreendendo com a qualidade narrativa e técnica.

Um dos grandes marcos para essa leva de filmes é o impressionante Invocação do Mal (2013), de James Wan, que se tornou uma celebridade após o longa. O filme praticamente reinventa o cinema de terror, mostrando que o gênero tem muito mais a oferecer do que os “Atividade Paranormal”, por exemplo, estavam mostrando. Com um terror psicológico, ambientação que faz o espectador ficar constantemente tenso, uma história extremamente bem amarrada, elementos secundários extremamente interessantes (que viriam até ter filmes próprios no futuro), personagens com várias camadas e atores excelentes, fizeram esse filme ser um marco do gênero.

Depois de Invocação do Mal as portas se abriram e o terror teve uma enorme renovada em seu estilo, criando oportunidades dos diretores e roteiristas pensarem em obras mais completas, com o objetivo de criar filmes tensos, com ótimas histórias. Foi nessa causa que recentemente apareceu A Bruxa (2015) e Corra! (2017), por exemplo.

Esse ano já tivemos ótimas comprovações que o gênero está em constante evolução, com o excelente Um Lugar Silencioso, que eu considero o melhor filme do ano até aqui, que subverte conceitos do cinema, fazendo com que a ausência de som seja um fio condutor ao mesmo tempo em que é um criador de tensão, uma experiência bem diferente de grande parte dos filmes de hoje.

Outro filme desse ano que prova o bom momento do terror é o impressionante Hereditário, que abusa da ideia de fazer com que o filme cresça o nível de tensão ao passo que o tempo passa, até chegar ao fim com uma conclusão que é impossível ir pra casa sem o filme martelando sua cabeça.

Ainda temos alguns baixos (o recente A Freira é um claro exemplo), mas em linhas gerais, o gênero de terror vem em um momento muito bom, vamos torcer que essa onda não acabe tão cedo, para que possamos aproveitar mais e mais filmes do nível desses apresentados nos últimos anos.

Comentários

Carregar mais Artigos relacionados
Carregar mais por André Rodrigues
Carregar mais em Crítica Arretada
Os comentários estão fechados.