“Socorro está sendo mal administrada”, afirma Klewerton Siqueira

Quando se trata do jovem Klewerton José Siqueira Santos, em Socorro conhecido apenas por Klewerton Siqueira, salta os olhos a experiência em gestão pública que o mesmo acumula, mesmo com a pouca idade.

Morador de Nossa Senhora do Socorro desde 1994, iniciou sua carreira na vida pública nos idos de 1999 na Secretaria de Estado de Ação Social, logo destacando-se e assumindo o cargo de coordenador de transporte na Secretaria Estadual de Inclusão Social e Trabalho, servindo ao povo de Sergipe até o ano de 2009, quando fora convidado a assumir o setor de licitações da prefeitura de sua cidade de Socorro, viabilizando certames que mudaram a vida do povo socorrenses, tais como das creches que ainda estão sendo inauguradas , as ciclovias que foram um marco para melhora da qualidade de vida dos munícipes, dentre tantas outras grandes obras e ações que passaram por tão importante setor, onde ficara até o ano de 2011, vencida está etapa fora desafiado a assumir a Secretaria municipal de Transportes, onde pode potencializar o transporte de estudantes, tendo encontrado um fluxo de 1.400 alunos transportados por dia e deixado mais de 10.000 alunos/dia, melhorando desta forma os índices de crianças nas escolas, sem falar na implantação do transporte dos Universitários para capital sergipana, uma antiga reivindicação dos população, passando ainda pela valorização do servidor daquela secretaria que pode contar com a implantação do plano de cargos e salários.

Já em meados de 2016 assumiu a Secretaria de Serviços Urbanos, onde dentre tantas outras ações pode-se destacar o projeto “Vamos Jogar Limpo”, onde através de campanhas de conscientização e educação feita nas escolas municipais aliado a mutirões de limpeza na cidade e nos povoados inseriu na comunidade a importância de se respeitar os dias de coleta de lixo, mantendo a cidade limpa, destacando-se ainda as melhorias na iluminação pública.

Atualmente, fora da gestão pública e atuando enquanto empresário, investe na cidade de Socorro, onde mora e cria seus filhos.

Blog do Trindade – Com a sua vitória no PED do PT, você tem algum projeto futuro em Nossa Senhora do Socorro?

Klewerton Siqueira – O foco foi à eleição do PED no intuito de consagrar o nosso nome como candidato a presidência do PT em Socorro, é um processo que você participa como uma eleição normal, só que é interna, somente com os filiados, tivemos muitas adesões com a chapa que encabeçamos, e gostaria de registrar os apoios internos e externos. E sem contar com o apoio político do senador Rogério Carvalho, do nosso presidente reeleito deputado federal João Daniel, da vice-governadora Eliane Aquino, do deputado estadual Iran Barbosa e também da ex-deputada Ana Lúcia.

Obtivemos 93% dos votos válidos, a maior projeção de uma eleição de PED no PT em Sergipe. Foi um trabalho de formiguinha, tentar cativar o máximo de filiados no intuito de garantir uma representatividade pautada na verdade, esse foi e sempre será o nosso lema.

BT – Você teve 93% dos votos válidos na eleição do PED em Nossa Senhora do Socorro, isso se deve a sua facilidade de articulação?

KS – Eu tenho um ditado que diz assim: “Você quer conhecer a política, construa na oposição”. Já construir na gestão, no uso das atribuições, e hoje construo na oposição, não tenho função pública, sou empresário, um cidadão comum da sociedade.

Nós temos visitados nossos amigos, levando uma proposta coletiva de todos, no sentido de mostrar ao cidadão de Socorro que é necessário resolver as demandas do povo de modo geral.

BT – Seu nome aparece como um dos nomes mais lembrados na disputa da prefeitura de Socorro, teme algum dos seus adversários ?

KS – Nós temos uma política de respeitar todos os adversários, o que é que eu tenho para dizer de Padre Inaldo? Como pessoa nada, tenho sim para falar enquanto gestor, homem público. Ele nunca teve outra experiência pública há não ser como legislador que passou 1 ano e meio como deputado estadual, naquele momento ele deveria ter ficado onde estava na Assembleia Legislativa, ter exercido o mandato ao qual foi eleito nas urnas.

A nossa cidade precisa de pessoas que tenham responsabilidade com a gestão pública, a política moderna você tem que administrar como se fosse uma empresa sua, e com um detalhe: nesse caso você tem 200 mil sócios, que são os moradores de Nossa Senhora do Socorro, todos são donos dessa empresa, pagam impostos e cobram as melhorias para o desenvolvimento, a população precisa de um gestor que conheça a cidade de Socorro, e eu tenho essa experiência, porque fui durante 08 anos secretário, como titular da pasta de serviços urbanos, uma das mais complexas de qualquer administração, uma cidade tão plural, dividida em diversas frentes como o distrito industrial, os conjuntos habitacionais, a zona rural, você tem lá do outro lado o parque dos Faróis e do Jardim, com uma realidade distinta da sede de Socorro e das demais localidades do município.

Precisamos tratar os problemas de Socorro olhando nos olhos das pessoas, Socorro precisa de alguém que tenha compromisso e que não tenha medo de enfrentar o povo, esse é o maior desafio, essa vai ser a nossa maior bandeira.

BT – Você foi secretário da gestão Fábio Henrique, não acha que o seu nome ainda continua atrelado ao ex-prefeito?

KS – Se for nessa vertente, João Alves foi secretário de Augusto Franco, o ex-senador Valadares de outros gestores, associarem meu nome a FH é muito raso, foi um ciclo que passou, eu não tenho nada contra Fábio, mas eu tenho direito de sonhar, de galgar um espaço para ajudar meu município a tomar um rumo. Socorro está destruída, está devastada, os nossos índices estão cada vez mais caindo, você tem problemas na administração, por exemplo, na secretaria da Fazenda, problemas na burocracia com aquele velho pensamento de papéis, algo que é fora do comum de outras administrações, que não sabem utilizar a tecnologia para ajudar a acelerar a vida daqueles que procuram os serviços da prefeitura.

A nossa vida passa por ciclos, por fases e costumo dizer que aprendo muito com todos os desafios sejam bons ou ruins.

BT – Na pergunta anterior você afirmou que ‘Socorro foi devastada, destruída’. Quem foram os culpados?

KS – Tudo começou de 03 anos para cá. Socorro era uma cidade que tinha uma arrecadação baixa, eu sou morador desde 1993/94, tem dois períodos, que primeiro era aquela cidade acanhada, e tem o segundo período foi à construção de rodovias, saneamento básico, enfim serviços essenciais para a população. Quando me refiro à cidade devastada, refiro-me a gestão pública que já estamos há três anos sem um trabalho eficiente, hoje a nossa cidade tem problemas diversos, na saúde, educação, saneamento básico.

De fato existe essa crise econômica, estamos vivendo tempos difíceis não é mentira, existem sim problemas na arrecadação, mas é necessário trabalhar com prioridades, quando se quer faz. Infelizmente o Padre Inaldo não quer fazer.

BT – Já existem conversas no sentido de composição de aliança com outras legendas em torno de algum projeto futuro?

KS – Muito cedo. Estamos conversando com todos que são contra a gestão atual, que não concordam com a atual administração, e quero frisar que nunca sentei nem com Fábio Henrique e nem com Zé Franco no sentindo de alianças, tenho conversado primeiro com o nosso agrupamento, com pessoas que tem o mesmo pensamento que eu.

A política é a arte de somar e não subtrair, e todas as pessoas que me param nas ruas perguntam se sou pré-candidato, e afirmo que ainda cedo para declarar isso, até por causa da legislação eleitoral, mas estou à disposição para mais a frente quem sabe entrar na disputa apresentando o meu nome no próximo pleito. E complemento dizendo que primeiro é conversar com o povo, porque são eles que sabem o que é melhor para a política da sua cidade, o nosso projeto tem sido construído com muita verdade, olhando nos olhos das pessoas.

BT – Qual a sua opinião sobre o governo Bolsonaro?

KS – Não estou vendo nenhum esforço por parte do governo federal. O Bolsonaro precisa dizer para que foi eleito, o papel do presidente não é bater continência para os EUA e Donald Trump, o nosso país é soberano. Ele enquanto presidente precisa se preocupar em problemas macros, principalmente a questão do desemprego, que eu não acredito, e frise que não estou indo de encontro a nenhum instituto de pesquisa, mas eu ando nas ruas, vejo a aflição das pessoas, converso com empresários, na construção civil, muitas empresas de médio e grande porte, reclamando das linhas de crédito que existiam nos governos Lula e Dilma, mesmo com as dificuldades.

Acredito que valeria a pena o governo Bolsonaro repensar o seu primeiro ano de mandato sem muitas notícias boas para a população. Ministros envolvidos em investigações, sem falar nos assuntos sem relevância que o próprio presidente responde em suas redes sociais, algo que às vezes se torna chacota na imprensa nacional e internacional. Sem falar nos aumentos do gás de cozinha, das contas de luz e água, não existem mais investimentos na Educação, veja só o corte nas verbas das universidades federais.

BT – Qual a sua opinião sobre o governo Belivaldo Chagas?

KS – Uma análise de forma genérica, o governador precisa se aproximar mais dos municípios, ouvir mais as lideranças políticas, sem contar que é bom lembrar que o Belivaldo pegou o estado quebrado, com enormes gargalhos. Então, nada se resolve do dia para a noite, existem várias reclamações que nós ouvimos, mas cabe ao próprio gestor junto aos seus secretários e auxiliares detectarem os problemas e tentar ao máximo resolver as demandas da população Sergipana.

BT – Você representa a nova política? 

KS – Eu vou levar a proposta da verdade para as pessoas, eu vou falar o que penso e acho. Essa história de nova política tem várias interpretações, por exemplo, tem pessoas que se dizem novos, mas já assumiram cargos públicos. São partidos políticos mudando de nome, siglas modificando programas partidários, continuando as mesmas pessoas, com as mesmas práticas. Então, essa questão de novo não gosto nem de entrar no mérito. Agora a gestão precisa sim ser moderna, cada vez mais digital, e quando falo de ser digital é no sentido de ser mais próximo da população, que tenham uma leitura acessível ao povo.

Os melhores governos que eu vi, foi do saudoso Marcelo Déda quando foi prefeito de Aracaju, veja que algo impressionante, quando se colocou em prática o Orçamento Participativo, ouvir as demandas da própria população era algo incrível, o povo participava de forma ativa das discussões, existiam propostas para várias áreas, como saúde, educação, saneamento básico, segurança pública, ou seja, era um turbilhão de projetos que foram importantes para o desenvolvimento de Aracaju.

BT- Você acredita na inocência do ex-presidente Lula?

KS – Acredito sim. O intercept está mostrando tudo, a verdade, como foi armado. As decisões da Justiça antes mesmo de julgadas, o próprio Jornal Nacional já tinha acesso às gravações, vídeos, documentos. Como tudo isso não foi um golpe? Hoje o então juiz federal Sérgio Moro é ministro da Justiça. Foi um grande golpe cometido para sangrar a população brasileira e prender um grande líder político.

BT – Nos bastidores dão conta de uma boa relação entre Edvaldo Nogueira e Fábio Henrique, levando o Padre Inaldo há manter uma aliança com FH e o PDT, você já ouviu algo a respeito, acha que existem conversas nesse sentido?

KS – Acredito que eles conversam. Mas prefiro cuidar do nosso projeto, das pessoas. O povo de socorro é que está precisando ser tratado com carinho, com zelo e com amor. O socorrense precisa ter esse orgulho, valorizar mais a nossa terra, mostrando a todos que Socorro pode sim ter representantes á altura, veja o caso da eleição passada, o deputado estadual mais bem votado teve 8 mil votos, com uma população de mais de 100 mil habitantes na nossa cidade.

Já em Lagarto que uso como exemplo, você tem dois, três grupos, e nas eleições passadas foram eleitos: dois deputados estaduais e mais dois deputados federais. Que realidade diferente da nossa, você entende?

BT – Você acha que o cidadão comum está participando mais da política?

KS – Acredito que sim. Precisa participar cada vez mais, a participação da população precisa ser mais ativa. Nas eleições passadas mais de 30% de eleitores não compareceram as urnas, e o voto é obrigatório, veja que dilema.  E isso se deve ao repúdio da população, pelo descrédito das instituições de modo geral. O povo está cansado de políticos que só pensam em si.