É incrível como a vontade da maioria, destrói os sonhos de alguns políticos que achavam que manter-se no poder era regalia e não uma honra. No último domingo (07), aconteceu o inimaginável, a eleição de um novato, que mal aparecia nas pesquisas com uma margem alta de intenções de votos, que tinha realizado um trabalhado digno à frente da DEOTAP, no caso das subvenções, e tinha de uma certa forma sido perseguido pelo governador na época, Jackson Barreto. O delegado Alessandro Vieira (Rede), conseguiu unificar os sergipanos e juntos deram uma resposta aos velhos políticos, aqueles que acreditavam na compra de votos, nas alianças de balaio, em tudo que não fortalece a democracia.

Sendo o mais votado, até mesmo do que o candidato ao governo, Belivaldo Chagas (PSD), o delegado conseguiu superar toda as expectativas, com uma campanha franciscana e sem muito alarde, e com pouquíssimo tempo de TV, o mesmo mostrou-se bem à vontade para pedir votos em todas as cidades de Sergipe. A negação era mínima, já a aprovação da população era surpreendente, o candidato acreditava que poderia ter uma boa votação, mas não a vitória com uma diferença de mais de 170 mil votos do segundo colocado, o petista Rogério Carvalho (PT), que retorna ao poder depois de alguns anos sem mandato.

E aqueles que não entraram? Agora, precisam avaliar o que fizeram de errado, vai ver, muitos avisaram, mas eles não ouviram, o ego fala mais alto, a fome de poder é um pecado mortal. Tanto André Moura, quanto Valadares, Jackson Barreto e Eduardo Amorim, tiveram votações boas, mas não o quanto esperavam, pelo menos é o que se escuta nos bastidores. Como bem escrevi recentemente, o deputado André Moura (PSC), tinha sido o cara, que trouxe mais recursos que qualquer outro, que conseguiu a maior demonstração de apoio de mais de 50 municípios, lideranças políticas, unificando o velho e o novo em torno do seu nome, mas não conseguiu. Traição? Não creio, acredito que o povo que não o quis, pode ter pensado que eleger novos nomes seriam a melhor resposta e assim a maioria decidiu.

Já o ex-governador Jackson Barreto (MDB), que tinha o título de pior governo em 30 anos, conseguiu o desgaste e o ódio de muitos sergipanos, essa imagem negativa acabou prejudicando a campanha do seu candidato ao governo, Belivaldo. Jackson já tinha tido derrota igual há 20 anos, quando disputou contra a atual senadora Maria do Carmo, e agora em 4º lugar com 11,20%, ficando atrás do deputado André Moura. É bom deixar claro que a sensação de já ganhou era grande entre aqueles que o apoiavam, muitos dependentes de um mandato do ex-governador para se manter por 8 anos no Senado Federal, mas que pena né, não aconteceu.

E o senador Valadares (PSB), não entende, como poderia ficar em 5º lugar abaixo de seus rivais Rogério, André e Jackson. E pasmem, também do delegado Alesssandro, que Sergipe bem lembra, quando aconteceu uma possível aliança entre a REDE e o PSB, o senador Valadares colocou como condição que o delegado desistisse da candidatura ao Senado, para que o PSB indicasse o outro nome, que com certeza seria do advogado Henri Clay (PPL), como acabou sendo. Que coisa hein? Desfez de um homem que hoje é senador da república, o mais votado da história de Sergipe. Lembram quando citei que não podemos desfazer das pessoas? Pois é, nunca sabemos o que pode acontecer, o mundo sempre dá voltas.

Eduardo Amorim (PSDB), perde a sua segunda eleição para governador, e deve pensar na sua aposentadoria de senado. Acredito que o clã dos Amorim não terá mais forças para retornar ao poder novamente. É o fim de uma dinastia que durou pouco tempo.

Deixo para os amantes da Política, que gostam de entender o cenário do que aconteceu, um texto que publiquei no último dia 06, com o título “Jackson Barreto e o pedido Maldito”, que falava sobre aquela entrevista que JB tinha afirmado que não seria candidato e que o povo de Sergipe não votasse caso o mesmo fosse, por isso o desejo de Jackson foi atendido na sua plenitude, mesmo sabendo o próprio que isso de fato foi um dos percalços para pedir votos pelo interior. Creio que o ex-governador aprendeu a lição e agora a aposentadoria será o maior momento da vida de Jackson, acompanhando o atual senador Valadares que não ganhou esta eleição.

A vida é assim, um dia estamos no poder e no outro não somos nada. E segue o trem para aqueles que foram vitoriosos.

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