Dinheiro não será o diferencial

 

A grande pergunta da eleição presidencial não é quem vai ganhar a disputa, mas como. Com a lâmina da Lava Jato tendo atingido a jugular do tsunami do caixa 2 das campanhas, de alguma forma o dinheiro não será um diferencial. Mas há uma variável nova cujo impacto vai ser colocado à prova como nunca antes na história deste país no pleito presidencial.

(*) Mario Rosa

 

A grande pergunta da eleição presidencial não é quem vai ganhar a disputa, mas como. Com a lâmina da Lava Jato tendo atingido a jugular do tsunami do caixa 2 das campanhas, de alguma forma o dinheiro não será um diferencial. Mas há uma variável nova cujo impacto vai ser colocado à prova como nunca antes na história deste país no pleito presidencial.

A rigor, do ponto de vista histórico, os 2 candidatos que realmente estarão digladiando frente a frente pela 1ª vez são duas plataformas de comunicação: a veterana e poderosíssima televisão e a o poder desafiante e inovador das redes sociais.

Quem vai definir as eleições: uma ou a outra? Qual será o candidato que saberá antever e tirar proveito dessa ferramenta decisiva, seja qual for? Uma parte do resultado do jogo no campo político dependerá da batalha que for travada nas tecnologias. É sempre bom lembrar que o surgimento de novas plataformas de comunicação de massa já moldaram capítulos da História recente.

O caso mais emblemático foi a campanha presidencial americana de 1960. Até então, o rádio era o meio mais poderoso de acessar as massas. A televisão, porem, surgira e ainda não se sabia ao certo que seu reinado chegara para ficar.

O veterano ex-vice-presidente dos Estados Unidos, o republicano Richard Nixon, fora forjado numa geração acostumada a usar os microfones com maestria para disseminar suas mensagens ao eleitorado. Eis que surge o jovem, carismático, bem apessoado e imagético senador John Kennedy. E naquela eleição acontecem os primeiros debates presidenciais transmitidos para uma vasta audiência. Conteúdo? Não faltava a Nixon. Mas sua forma radiofônica foi massacrada pela perícia televisiva instintiva de Kennedy diante da telinha. Kennedy ganhou, mas sobretudo a televisão foi entronizada como a arena principal da disputa política. E isso perdurou desde então.

Até que…até que alguns nerds do vale do silício inventaram uma coisa chamada revolução tecnológica, ali pelos anos 1980. E dessa cartola saíram coelhos chamados internet, smartphones, Facebook, WhatsApp, Instagram e todas as redes sociais. Paulatinamente, o poder absoluto das mídias tradicionais foi trocando de mãos, mas na maior parte desse período a televisão continuou em seu panteão, inexpugnável, a rainha de todas as mídias.

Na realidade de 2018, essa premissa não é mais absoluta e a supremacia da telinha está sendo desafiada pela pulverização sem precedentes da forma de se comunicar e das pessoas serem acessadas, imposta pela lógica do mundo conectado e digital. A televisão é a candidata a ser derrotada, assim como um dia já foi o rádio. Vai vencer? A resposta terá efeito direto no resultado da eleição presidencial.

É que, pela lógica política convencional, sempre teve mais chances de subir a rampa do palácio do Planalto aquele candidato que fosse capaz de amealhar o maior quinhão de tempo de TV. Para isso, ele teria de reunir a maior quantidade de partidos políticos possível sem torno de sua candidatura para obter mais espaço na propaganda eleitoral.

Mas e agora? E agora quando o eleitor pode ser alcançado por disparos de milhões de comerciais especialmente produzidos para o WhatsApp? E agora quando se pode difundir maremotos de mensagens pelo Facebook? E agora quando os índices de audiência da tevê aberta consistentemente estão em declínio e os hábitos dos espectadores já não são mais os mesmos das outras eleições? Será que vai aparecer um Kennedy caboclo capaz de triturar os Nixons da telinha ou a televisão ainda vai vencer mais esta?

Só iremos saber de tudo isso quando a eleição acabar. Façam suas apostas. Quem vai vencer as eleições: a televisão ou as redes sociais? Está é a maior disputa de 2018.


*Mario Rosa, 53 anos, é 1 dos mais renomados consultores de crise do Brasil. Pede que em sua biografia seja incluído o fato de ter sido jurado de miss Brasil e ter beijado o manto verde-rosa da Estação Primeira de Mangueira. Foi o autor do prefácio do primeiro plano de gerenciamento de crises do Exército Brasileiro. Atuou como jornalista e consultor.

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