Chuvas podem aumentar casos de leptospirose

Mês que a temporada de chuva se intensifica. Em julho de 2017 foram registrados 13 casos. Em 2018, no mesmo período, foram sete

“As chuvas estão caindo em diversas regiões de Sergipe há pelo menos dois dias e neste período é muito importante evitar o contato direto com os alagamentos, com água potencialmente contaminada, prevenindo-se contra a leptospirose”. Esse é o alerta é do infectologista da Secretaria de Estado da Saúde (SES), Marco Aurélio, que lembra não haver vacina contra a doença, que é potencialmente grave, mas tem tratamento e seus danos podem ser reversíveis se for tratada oportunamente. Neste ano, a SES registrou um caso de leptospirose. Em 2018 foram 23 ocorrências contra as 33 contabilizadas em 2017.

As estatísticas reforçam a preocupação do infectologista e revelam que a maior incidência ocorre em julho, quando a temporada de chuva se intensifica. Em julho de 2017 foram registrados 13 casos. Em 2018, no mesmo período, foram sete. “Mas as chuvas começam em março e é importante que a população fique atenta para prevenir-se contra a leptospirose”, declarou Marco Aurélio.

A leptospirose é uma doença causada por uma bactéria, que está no sistema renal dos ratos comuns e é altamente prevalente. Segundo o infectologista, estima-se que 60% dos ratos têm a bactéria na urina. Quando não tem chuva essa urina seca e não há essa transmissão. “Mas, com a presença de pequenas seleções de água o que acontece é que essa urina é diluída e em contato com o homem pode contaminá-lo, o que se dá através da pele, principalmente dos membros inferiores”, informou.  

Prevenção e transmissão

A forma de prevenção é tentar evitar o contato, que às vezes pode ser inesperado quando se tem uma enchente (nas áreas onde isso ocorre é onde se registra o maior número de casos). Por muito tempo a leptospirose é tida como uma doença ocupacional, porque atinge as pessoas que trabalham com limpeza de locais contaminados como quintais, terrenos baldios, ou que trabalham com higienização. A presença de muitos roedores nos locais acabava contaminando os trabalhadores. Neste caso, o uso de botas e luvas impermeáveis ( e sem furos) evitam o contágio.

Atenta o infectologista para outra forma de transmissão, que é a recreativa. “Com essas pequenas chuvas os campinhos de futebol, principalmente em áreas de periferia, ficam alagados e as crianças e adolescentes costumam brincar nesses locais. Esse contato também é potencialmente perigoso, tanto quanto a outra maneira de contágio, que é a domiciliar”, disse, explicando que esta ocorre a partir das pequenas enchentes que levam água contaminada para dentro das casas. Marco Aurélio orienta também para esta situação o uso de equipamentos de proteção, como botas e luvas impermeáveis durante a limpeza do imóvel.

Há, ainda, a transmissão indireta, que se dá por alimentos. O médico recomenda que, se o alimento entrou em contato direto com a água de enchente deve ser descartado. Não adianta apenas lavar a superfície porque o produto pode ter sofrido contaminação. Marco Aurélio informou que, quando a bactéria leptospira penetra no organismo pode dar inicialmente um quadro semelhante a uma virose, com febre alta, dor de cabeça, dor nos olhos, além de uma característica importante é dor nas panturrilhas.

“Mas, que pode evoluir afetando o fígado, provocando icterícia que deixa a mucosa amarelada e a pele alaranjada. Afeta principalmente os rins, levando a uma insuficiência renal. Nesse caso, às vezes, o paciente precisa ser submetido a diálise. O quadro pode ser reversível  se for tratada a tempo”, disse, acrescentando que a leptospirose pode causar importantes sangramentos pulmonares e, com isso, às vezes levando a morte”, observou.

Marco Aurélio afirmou que, por ser uma doença grave, a SES trabalha sempre com o profissional de saúde, através da diretoria de Epidemiologia, para este ficar em alerta, principalmente para esse período pós-chuva.

“Além dos quadros de viroses que temos comumente nessa época, como dengue e outras arboviroses, também temos a leptospirose, que precisa de um cuidado diferenciado, do antibiótico específico, de hidratação e do monitoramento. Mas é uma doença que tem cura, que pode ser tratada e que a gente pode diminuir bastante os casos de óbitos quando diagnosticada oportunamente”, enfatizou.

Orienta Marco Aurélio, que a pessoa que procura o serviço de saúde deve sempre relatar tudo que aconteceu no período anterior ao surgimento dos sintomas, da mesma forma que o profissional deve estar alerta para perguntar todas as possíveis exposições a que esteve sujeita aquele paciente. Assim, ele pode direcionar o seu raciocínio clínico para qual quadro combina mais com aquela sintomatologia.