Por: André Rodrigues

 

A premiação máxima da TV americana aconteceu na última segunda, os mais variados tipos de séries disputando quem receberia os tão desejados prêmios.  Os mais indicados da noite eram Game of Thrones, The Handmaid’s Tale e Westworld, todas indicadas à principal categoria da noite: Melhor Série dramática. Na categoria de comédia, a grande indicada era Atlanta, que arrancou elogios de diversos tipos de públicos (inclusive o que escreve), e The Marvelous Mrs. Maisel, que obteve o maior número de indicações entre as comédias.

Sobre a premiação em si, parece que a Academia acabou decidindo para conquistar o público, pois premiar como Melhor Série Dramática, a temporada de Game of Thrones com menos esmero narrativo, mais soluções fáceis, no lugar de premiar o auge de uma série que conversa diretamente com a situação política americana (The Americans), ou no lugar de uma que conversa diretamente com todas as lutas feministas espalhadas pelo mundo (The Handmaid’s Tale), ou até por uma série que tem uma complexidade narrativa e temporal, que detalha politica e socialmente quase com perfeição certa época da historia (The Crown).

Não que eu esteja desmerecendo Game of Thrones, é uma série que dividiu águas na história da TV, uma produção, uma história e decisões dignas dos maiores clássicos do cinema. A série tem temporadas simplesmente intocáveis, perfeitas do início ao fim, com a história caminhando de formas imprevisíveis e muito surpreendentes, mas infelizmente não foi o caso dessa última temporada.

Outra clara injustiça desse Emmy foi a falta de prêmios para a espetacular Atlanta, que como já foi dito em alguns textos atrás nessa coluna, é uma obra que sai demais da curva comum das séries atuais, aborda uma infinidade de temas, todos extremamente complexos, e o faz com uma simplicidade dificílima. The Marvelous Mrs. Maisel merece a melhor comédia, mas deixar de premiar a série de Donald Glover em direção e/ou roteiro é uma decepção.

Vale ressaltar a ausência de outra série sensacional, que retornou para uma última temporada, foi extremamente bem recebida e só concorreu em uma categoria: Twin Peaks, uma série com a qualidade digna das melhores obras do diretor David Lynch, que teve uma temporada maravilhosa, e foi completamente ignorada pela Academia, tão ignorada que o próprio Lynch perdeu na categoria de melhor direção em série limitada para Ryan Murphy e em melhor roteiro para Charlie Brooker e William Bridges, de Black Mirror.

Não houve só decepções no Emmy desse ano, dar o prêmio de melhor ator para Matthew Rhys de The Americans honrou tudo o que ele fez na série durante esses 7 anos, assim como o prêmio merecidíssimo de Claire Foy como Melhor Atriz, Foy, que se despediu do papel de Rainha Elizabeth em The Crown, merecia esse prêmio desde o ano passado.

Um momento que vai ficar na mente de todos por algum tempo quando se referirem à premiação desse ano, sem dúvida será a de Glenn pedindo a namorada em casamento em pleno palco, logo após ganhar o prêmio de melhor direção em especial de variedades.

Em resumo, o Emmy desse ano foi um pouco decepcionante, séries que claramente mereciam destaques não foram enaltecidas, e a premiação em si não tiveram muitos momentos marcantes. É uma tristeza que a premiação que era a mais interessante de ver, vem se curvando a aceitação do público geral.

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